A maior transformação tributária das últimas décadas no Brasil, combinada a mudanças estruturais globais, está redefinindo a forma como empresas operam, investem e competem. É o que revela o estudo "Nova ordem tributária no Brasil", lançado pela PwC Brasil. De acordo com a publicação, a tributação deixou de ser apenas uma obrigação regulatória e passou a desempenhar um papel estratégico: 83% dos executivos brasileiros já consideram a área tributária relevante na tomada de decisões de negócio.
O estudo mostra como o ambiente de negócios e a maneira como se cria, captura e tributa valor vem se transformando em um verdadeiro vetor de mudança e um instrumento de competitividade em empresas de todo o mundo. Uma transformação que movimenta trilhões de dólares e indica novas direções para fluxos de capital e investimento.
Entre os principais vetores dessa mudança estão:
- Inteligência artificial e digitalização, que rompem a relação entre valor e localização física;
- Pressões fiscais e demográficas, que aumentam a necessidade de arrecadação de governos e países;
- Fragmentação geopolítica, que impulsiona o uso da tributação como ferramenta estratégica;
- Agenda de justiça fiscal, com maior cobrança por equidade tributária;
- Transição climática, que redefine incentivos e penalidades fiscais.
“A nova ordem tributária não muda apenas a arrecadação. Transforma a forma como empresas são avaliadas, comparadas e cobradas – por governos, investidores e pela sociedade. Para quem lidera um negócio no Brasil, isso é ainda mais urgente: duas reformas avançam ao mesmo tempo, o fisco opera com sofisticação crescente e a carga já supera 32% do PIB. A pergunta não é se o ambiente vai mudar – é se as empresas vão capturar valor nessa disrupção ou apenas reagir a ela.”, avalia Carlos Coutinho, sócio e líder de Tax da PwC Brasil.
Corrida tecnológica
O estudo destaca que a reforma tributária brasileira não é implementada de forma isolada, mas segue tendências internacionais. O país avança simultaneamente em mudanças na tributação do consumo e da renda, em um contexto de alta carga tributária, superior a 32% do PIB.
Além disso, o Brasil já se posiciona como referência no uso de tecnologia fiscal, com sistemas integrados e o uso de inteligência artificial para fiscalização em tempo real. Com a reforma, o país dá mais um passo, introduzindo modelos de apuração mais dinâmicos e baseados em dados, elevando o nível de exigência para as empresas. Um exemplo é o meio do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) e de sistemas como o Sisam, que utiliza a IA para processar declarações e identificar anomalias.


