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August 20, 2026

Café brasileiro é “insubstituível” nos EUA, após batalha contra tarifaço

Presidente de associação do setor nos EUA, Bill Murray afirma que nenhum outro país reúne volume, qualidade e eficiência para ocupar espaço do Brasil

Café brasileiro é “insubstituível” nos EUA, após batalha contra tarifaço

Depois de atuar diretamente em Washington pela retirada das tarifas impostas ao café brasileiro, o presidente da NCA (National Coffee Association), Bill Murray, avalia que os Estados Unidos reconheceram uma realidade difícil de contornar: o mercado americano depende do Brasil e não há outra origem capaz de substituir integralmente o produto brasileiro.


“Não existe outro país que possa preencher essa lacuna. Considerando a eficiência dos produtores brasileiros, a qualidade do café e o volume produzido, não há nenhum outro lugar no mundo que possa substituir o café brasileiro. Não há dúvida. Não há substituto”, afirmou Murray, em entrevista à CNN, na prévia para o Vitória Coffee Summit, que começa nesta quinta-feira (20), em Vitória (ES).


A declaração ocorre após mais de um ano de articulação entre representantes da cadeia cafeeira brasileira e americana para retirar o produto do alcance das medidas tarifárias adotadas pelo governo de Donald Trump.


Em agosto de 2025, os cafés brasileiros passaram a enfrentar uma tarifa total de 50% para entrar nos Estados Unidos — resultado da tarifa de 10% aplicada anteriormente, somada a uma sobretaxa adicional de 40%.


A medida vigorou por quase quatro meses para a maior parte do setor. Em novembro do ano passado, o governo americano retirou a sobretaxa adicional sobre café verde, torrado e moído, enquanto o café solúvel permaneceu sujeito à taxação.


Murray esteve entre os principais interlocutores dessa frente nos Estados Unidos. Em julho deste ano, durante audiências em Washington relacionadas às investigações da Seção 301, o executivo defendeu a manutenção das exceções previstas para o café e pediu que o café solúvel não aromatizado também fosse incluído na lista.


O argumento apresentado ao governo americano teve como um dos pilares o peso econômico da cadeia dentro dos próprios Estados Unidos. Segundo Murray, 2,2 milhões de empregos americanos dependem do café.


“Precisamos uns dos outros. O Brasil precisa dos Estados Unidos e os Estados Unidos precisam do Brasil. Não temos um mercado de café sem o café brasileiro”, reiterou.


Segundo ele, o Brasil respondeu no ano passado por 19% do café que chegou aos Estados Unidos, considerando o valor das importações.


Para o executivo, o peso do Brasil na oferta torna particularmente difícil substituir o produto nacional simplesmente redirecionando as compras americanas para países concorrentes.


Por Isadora Camargo

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