Cultura em transformação, uso da inteligência artificial na área de RH, capacitação e o papel dos líderes que orquestram a organização do futuro. Esses foram alguns dos temas que permearam os debates do painel que reuniu Silvana Machado, Chief People & Sustainability Officer do Bradesco, Fernando Meller, Diretor Executivo de Gente e Gestão da JBS e Sérgio Piza, CHRO do Grupo DPSP (Drogaria São Paulo e Drogaria Pacheco).
Mediado por Ricardo Natale, CEO do Experience Club, o painel reuniu a visão desses três líderes cujas empresas empregam, juntas, quase 400 mil colaboradores. Eles falaram sobre como grandes organizações estão revisitando suas culturas, adaptando suas estruturas e tentando equilibrar escala, performance e desenvolvimento humano em um cenário de mudanças aceleradas.
[Ricardo Natale] Em grandes empresas, como o Bradesco, cultura precisa ser construída ou apenas mantida?
[Silvana Machado] O momento que estamos vivendo no Bradesco é bem especial. A cultura precisa ser revisitada o tempo todo. Cultura gera resultado e, sem isso, não conseguimos cuidar dos nossos 83 mil colaboradores e de suas famílias. Não existe certo ou errado em cultura. Existe a cultura que funciona para os objetivos e a ambição da organização. Estamos em um momento de evolução cultural, de transformação do negócio. A cultura do Bradesco sempre foi mais tradicional e conservadora, com carreiras construídas dentro da organização. Mas a pressão do mercado nos levou a mudar.
Sou a primeira executiva de fora a chegar na companhia. Nosso CEO, Marcelo Noronha, também veio do mercado financeiro, mas já tinha 20 anos de Bradesco quando assumiu. Como eu já havia feito consultoria para o banco o processo foi mais fácil. Em maio, completo dois anos de empresa. É uma transformação desafiadora, com derrotas e vitórias todos os dias. Temos visto mais vitórias, nossas ações valorizaram 60% em 2025, lançamos a campanha “Sou Bradesco”, mas ainda encontramos resistências de quem preferia o modelo anterior.
[Natale] É possível escalar a cultura em uma empresa tão grande como a JBS ou ela acaba se fragmentando ao longo do processo?
[Fernando Meller] A JBS é uma empresa de cultura muito forte. Acreditamos e praticamos nossa cultura diariamente, porque foi ela que nos trouxe até aqui e é ela que vai nos levar para o futuro. Para nós, atitude é mais importante do que conhecimento. Dificilmente desligamos alguém por performance, mas quando a pessoa não consegue trabalhar com os outros, não engaja o time, ela tem dificuldade de permanecer. Temos vários programas de fortalecimento da cultura. E como treinamos nossa cultura? Para falar de simplicidade, escolhemos uma pessoa que é exemplo e a convidamos a contar sua própria história para os times.
[Natale] Como o DPSP está usando a inteligência artificial em apoio à cultura?
[Sérgio Piza] Nossa rede reúne 1.650 lojas, farmácias e drogarias. São 30 mil colaboradores. Para nós, cultura é muito importante e não é algo monolítico, nem estanque. A cultura precisa ser permeável, se abrir para o novo, para o que está acontecendo no mundo e para o que vem das novas gerações. Senão todo mundo fica igual. É de certa forma um paradoxo, mas precisamos construir uma cultura sólida que também seja permeável.
A inteligência artificial é um instrumento poderoso para liberar os colaboradores da rotina e dos trabalhos operacionais, para que possam atender melhor os clientes. Trabalhamos com alguns binômios que fazem parte da nossa cultura: pessoas e processo, protagonismo e integração, disciplina e discernimento. Tem que ser um e outro. Não adianta tirar nota 10 em protagonismo e ser nota zero em integração. Quando você equilibra esses elementos, consegue conciliar a saúde do negócio, do colaborador e do cliente.
Por Monica Miglio Pedrosa


