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July 8, 2026

EUA Veem Terras Raras Como Prioridade na Parceria com o Brasil, Diz Cônsul-geral

EUA Veem Terras Raras Como Prioridade na Parceria com o Brasil, Diz Cônsul-geral

A corrida global por minerais críticos abriu um novo capítulo na relação entre Brasil e Estados Unidos. Para Washington, a cooperação na exploração e no desenvolvimento da cadeia de terras raras deixou de ser apenas uma agenda econômica e passou a ocupar uma posição estratégica em meio à disputa global por insumos essenciais para a transição energética, a indústria de defesa e as tecnologias avançadas. “Os minerais críticos representam uma oportunidade estratégica para ampliar a parceria entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou o cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Kevin Murakami, em entrevista à Forbes Brasil.


A declaração foi feita durante a celebração dos 250 anos da Independência dos Estados Unidos, realizada no Consulado-Geral americano, na capital paulista. O evento, que antecede o feriado de 4 de julho, reuniu cerca de 400 convidados, entre autoridades brasileiras, representantes do corpo diplomático, empresários e executivos.


Segundo Murakami, Washington vê no Brasil um parceiro natural para fortalecer cadeias de suprimentos consideradas estratégicas, especialmente em um momento em que governos e empresas buscam diversificar o fornecimento de minerais essenciais para baterias, veículos elétricos, semicondutores e equipamentos de alta tecnologia. “O Brasil reúne condições importantes para desenvolver esse setor, e acreditamos que essa cooperação pode beneficiar os dois países”, afirmou.


A aposta nos minerais críticos também reflete uma mudança na política industrial americana. Nos últimos anos, os Estados Unidos intensificaram esforço para reduzir a dependência de cadeias produtivas concentradas na Ásia e estimular novas parcerias com países considerados aliados ou estratégicos.


Um exemplo emblemático dessa aposta é o da Serra Verde, mineradora localizada em Minaçu, Goiás, e única empresa fora da Ásia a produzir em escala comercial os quatro elementos mais cobiçados entre as terras raras. Em abril, a americana USA Rare Earth, listada na Nasdaq, anunciou um acordo para adquirir 100% do Serra Verde Group por cerca de US$ 2,8 bilhões – negócio ainda em processo de conclusão, previsto para o terceiro trimestre de 2026 -, em meio a uma corrida por fontes alternativas à China, que controla o mercado global.

Portas abertas

Segundo ele, a principal mudança vem dos próprios estados americanos, que passaram a disputar investimentos internacionais de forma mais agressiva por meio de incentivos fiscais, programas de desenvolvimento econômico e apoio à instalação de novas operações. “Estados como Texas, Oklahoma e Ohio têm políticas muito ativas para atrair capital estrangeiro”, afirmou. Nesse movimento, um dos principais instrumentos é o SelectUSA, programa do Departamento de Comércio americano criado para facilitar a entrada de investidores estrangeiros.


A iniciativa conecta empresas a agências estaduais de desenvolvimento econômico, oferece orientação regulatória e ajuda na identificação das melhores localidades para novos investimentos. Murakami destaca que agricultura, manufatura de alta tecnologia e inovação figuram entre os setores que mais oferecem oportunidades para empresários brasileiros interessados em expandir operações nos Estados Unidos.


À medida que questões de segurança econômica e resiliência das cadeias produtivas ganham peso, a relação entre Brasil e Estados Unidos tende a ser pautada menos pelo comércio tradicional e mais pela cooperação em setores considerados estratégicos.

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